quinta-feira, 29 de outubro de 2020

29 de outubro de 2020

 Oi, minha netinha florida

Sonhei com você agora cedo, nem quis voltar a dormir porque queria guardar sua imagem na retina. Foi só um flash: tocava uma música e você ficava paradinha, para daí começar a pular, como você faz mesmo. Só que você olhava de soslaio, com o cantinho do olho, para ver se eu estava te olhando e, quando dava uma voltinha, eu estava mesmo te olhando; também, como a gente faz mesmo. Só que eu olhava a sua carinha e me dava um amor imenso, que inundou e aqueceu meu peito, no sonho e na realidade, tanto é que eu acordei. Nesse lugar estranho que ainda não é o dia mas já não é totalmente o sonho, eu te dava um beijinho no nariz e deixava meio melecado porque eu estava usando manteiga de cacau nos lábios, como eu sempre faço mesmo. 

Depois que o dia começa, vêm as leituras e a realidade. Como essa, que me lembra que antes de ir dormir eu soube que a França vai 'fechar' amanhã, fazer lockdown absoluto porque a peste voltou. Daí, acordei tão cedo e continuei a (re)leitura de Wolf Hall, exatamente no seguinte trecho:

"Todos parecem dotar a peste de uma inteligência humana, ou pelo menos animal: o lobo ataca as ovelhas, mas não nas noites em que os homens e os cães estão montando guarda. Talvez pensem que a peste é mais que animal ou humana - que Deus está por trás dela, Deus, aplicando seus velhos truques."




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