sábado, 8 de agosto de 2020

8 de agosto - dia 146 da quarentena

Gogó aqui, morrendo de saudades. E você aí, vivendo a vida loka pedalando com papai. Ontem, Florinha, você me ligou e mandou beijos, deu tchauzinho, sorriu muito e fez vários amigos nossos encostarem a boquinha no celular para me beijar também: o Pluto nenê, o cachorrinho que late irritante e por isso mesmo está sem pilha, alguns dos anões, inclusive o Mestre, que sempre foi com o qual eu mais me identifiquei (sim, sua gogó sempre foi meio chata, mesmo), o tatu-bola que a Tuca deu e é uma obra de arte de tão lindo. Você está linda, pulante, falante, sorridente, feliz. 

Fora de nossas casas, o Brasil atinge 100 mil mortos e mais de 3 milhões de infectados; as pessoas trabalhando cada vez mais de suas casas fazem com que ainda mais empregos sejam extintos, agravando absurdamente uma recessão que já vinha galopante; as pessoas não sabem nem mais sequer o que chamar de 'novo normal', aquilo que viria no pós-pandemia mas já ficou ultrapassado; os programas de TV voltam a ser gravados com cuidados como limpar as solas dos sapatos e abusar dos detergentes (atitudes completamente inócuas) enquanto as pessoas conversam a menos de um metro de distância (o que, isso sim, transmite os vírus); o presidente é pego recebendo dinheiro de miliciano que esteva foragido, ameaça dar um golpe e não acontece nada.

Mas a gente está feliz: eu, aqui, morrendo de saudades mas trabalhando direitinho, saudável; o vovô Carlos que conseguiu vencer a campanha de financiamento coletivo hoje, e amanhã terá o Gael no Dia dos Pais no qual completamos três anos em Brasília; e você, com seus papai e mamãe, e a família da mamãe em Mogi. 

A vida é loka, mesmo.



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