domingo, 14 de junho de 2020

14 de junho - dia 91 da minha quarentena e último dia da de vocês

Flora, minha adorada, 
Apesar das saudades, eu estava tão feliz de saber que vocês estavam isolados, protegidos, bem cuidados, em uma casa ótima com jardim, piscina e especialmente o carinho da família. Para mim, a pandemia começa agora. Com tudo o que traz junto dela: medo, intranquilidade, insegurança, necessidade de controlar a imaginação. Fico aqui distante e torcendo para que seus pais percebam que toda e qualquer pessoa pode estar infectada, ou seja, onde já se viu torcer para que as pessoas que você ama fiquem paranoicas? Mas, na verdade, uma profissional da linha de frente do serviço de saúde falou exatamente isso: toda paranoia é justificada. E eu, sua vovó, fico aqui assim: longe de vocês e com a antena ligada no máximo. 

Malditos governantes, malditos. Uns são imbecis, os outros, talvez até piores, quiseram agradar aos dois lados, aquilo que todos nós sabemos ser impossível. Mandando mensagens dúbias, não fizeram nem uma coisa e nem outra. Não houve isolamento e não se manteve a economia funcionando, o que temos é o pior dos mundos, a tempestade perfeita. Até o prefeito de São Paulo, com câncer, implantou um rodízio rastaquera sem lógica nenhuma, voltou atrás, ficou isolado na sede da prefeitura trabalhando e agora o que? Tá com covid, ele também. Não posso julgar, mas só tenho um pedido sincero para os próximos tempos: fiquem bem, você sua mamãe e seu papai. Assim que possível estarei aí com vocês.

Amo vocês, te amo


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