domingo, 12 de abril de 2020

12 de abril - dia 28 da quarentena


"Quando eu disse ao caroço de laranja, que dentro dele dormia um laranjal inteirinho, ele me olhou absolutamente incrédulo" (Hermógenes de Tarso)

Li essa frase acima, Flora, e me lembrei daquela que sempre uso - confesso que tento incluir em tudo, folders de clientes, propostas, licitações; mas é porque acho perfeita, e se ela me lembra de você, Flora, isso só faz dela ainda mais perfeita: "Todas as flores do futuro estão contidas nas sementes de hoje". É um provérbio chinês, ou é o que dizem, porque sempre que não se conhece a origem de um ditado, o costume é empurrar para a conta dos chineses ou dos indígenas. O que é bastante irônico, veja, porque o chamado 'vírus chinês' foi a gota d'água no copo da xenofobia que existia desde sempre mas, até então, de forma latente. E os indígenas, ai. Estão na fila de serem dizimados (mais uma vez) pelos vírus que o homem 'moderno', entre duzentas mil aspas, criou.

Curiosamente, conversei com um garoto índio aqui de Brasília, da Tribo dos Pajés, e ele zoou um pouquinho com a minha cara (ainda se usa essa expressão, Florinha, zoou?). Eu estava contando, nesse meu jeito meio hippie, que sou vegana. Foi em um curso de agrofloresta, e os outros participantes eram, cada um a seu modo, todos meio 'contra o sistema'. Havia um menino crudívero, que só se alimenta de frutas, e mesmo o almoço sendo o mais ambiental e politicamente correto (produzido no Buriti Zen, um restaurante muito massa daqui), ele saiu para comer as frutas dele lá fora. Enfim, o garoto da tribo Guajajara virou para mim e disse: "Você já viu índio vegetariano, por acaso?".

E eu fiquei pensando naquilo, porque os povos índigenas pescam e caçam, mas nunca na história destruíram a natureza a tal ponto de provocar uma pandemia. Ou, vai ver, isso é o que a gente acha. Quem sabe foi assim que desapareceu Macchu Picchu, todos vítimas de um vírus que entrou, inadvertidamente, em contato com os comensais de um banquete diverso do que estavam acostumados? E, digo mais: talvez tenham feito o que eu considero o correto, que é cremar, e não enterrar, todos os mortos. O mesmo pode explicar o mistério da Ilha de Páscoa. Enfim.

Sei que uma das coisas que eu mais gosto em mim mesma é o fato de eu fazer as coisas que eu considero corretas. E não comer animais é uma dessas coisas.

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