sexta-feira, 7 de setembro de 2018

PALESTRA SOBRE PERMACULTURA TROUXE INÚMERAS PERGUNTAS E UM CONJUNTO DE RESPOSTAS

Luciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.


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Lembrando que a missão do PorQueNão? é divulgar conteúdos riquíssimos como esse. A gente acredita que a transformação vem através de bons exemplos, e para continuar trabalhando com um time incrível mais os equipamentos e deslocamentos necessários, contamos com você. Conheça a nossa campanha de financiamento (https://apoia.se/porquenao)

FAMÍLIAS DA CIDADE SE UNEM A PRODUTORES DO CAMPO: CONHEÇA UMA CSA

Três ou quatro meses depois, minha alimentação é 100% composta de vegetais orgânicos. E eu gasto metade do valor que usava para comprar comida no supermercado.
(Tá, essa redução de custos foi um chute. Mas eu gasto muito, muito menos do que gastava antes. E quando como fora de casa não sei se é mesmo orgânico. Em compensação, Brasília é uma cidade que permite que muitas vezes minha comida seja preparada minutos após ser coletada por mim mesma, nas diversas hortas urbanas ou na agrofloresta do Projeto Reação, na 206 norte. Eu conheço a pessoa que plantou a imensa maioria dos vegetais que eu consumo.)
Conheça o projeto Reação:
[youtube width=”100%” height=”100%” autoplay=”false”]https://youtu.be/uKkvCVZP1ms[/youtube]
Ok, então o que é CSA? A Comunidade que Sustenta a Agricultura (do inglês Community Supported Agriculture) surgiu no Brasil em 2011 e pode ser definida como uma nova forma de economia, através de um compromisso de parceria entre agricultores e coagricultores.
O produtor se livra da pressão do mercado e dos preços; o participante da CSA não é um mero consumidor, mas um coprodutor solidário, que recebe:
  • uma cesta semanal de vegetais recém-colhidos e totalmente livre de agrotóxicos, por um preço muito vantajoso
  • o direito de participar ativamente (visitando, opinando, pondo a mão na terra se e quando quiser) da produção
  • a satisfação pessoal de fazer parte de um sistema que protege o meio ambiente e a agricultura familiar
  • o bem estar de consumir alimentos saudáveis e saborosos 
Tudo isso para contar que neste último domingo visitei o sítio do Ronaldo, “meu agricultor”, e fiquei imensamente emocionada. Toquei a terra de onde vem a minha comida, observei os diversos vegetais em diferentes etapas dos seus ciclos de vida, conheci ou reencontrei pessoas que formam uma comunidade da qual eu faço parte: a CSA Verde Que Te Quero Verde.
Sobre conhecer pessoas, a curiosidade é que quando a Vivi me contou o que era CSA eu fiquei interessada e fui pesquisar para saber mais, mas quando descobri que teria que ir ao ponto de encontro todas as semanas buscar a minha cesta pensei seriamente em desistir. Como bem disse o poeta, ‘uma parte de mim é multidão, outra parte estranheza e solidão’ – e eu reluto muito, muito mesmo, em sair de casa para interagir com desconhecidos, embora ninguém que me conheça socialmente vá acreditar nessa frase.
Logo no primeiro encontro, porém, fui literal e metaforicamente abraçada pela Moema, e deixei de frescura. Por falar em frescura, aliás, não há timidez que resista à uma cesta com mais de 15 vegetais fresquíssimos, provavelmente colhidos naquela mesma manhã e entregue pelo próprio produtor diretamente na minha mão. Acredite, é muito transformador.
No sítio do Ronaldo, conheci a família dele, conversei com a Beth (fundadora e número 1 da CSA), com o Tancredo (marido da Moema e fotógrafo oficial dos pássaros da região), com a Daniele (que me contou uma história de saúde e superação), conheci a Maya (nenê mascote da CSA), e as várias famílias que dividem comigo os alimentos do sítio – não dá para nomear um por um, mas não é preciso: somos uma comunidade, na acepção da palavra.
Se tiver que resumir, em uma imagem, o que é ver o berço de onde seus alimentos brotam, saber que está participando de um movimento extremamente importante e, ainda, como é legal conhecer dezenas de pessoas que abraçam a mesma causa que você, a estrela da foto é essa aqui:
O pé de quiabo encantou a todos foto: Manuela Aguiar do Prado
O pé de quiabo encantou a todos
foto: Manuela Aguiar do Prado
A gente se acostumou a ir ao supermercado (vulgo intermediário) e escolher os alimentos da semana – que muitas vezes foram produzidos em diferentes pontos do planeta, em estufas mantidas sob condições artificiais de luminosidade, pressão e temperatura. Mas, na minha cesta, vem o que a natureza reservou de melhor para aquele momento. O Ronaldo explicou que muitas vezes ele avisa que irá trazer um determinado legume, mas no momento da colheita percebe que o vegetal que está ‘pedindo para ir para a cesta’ é o outro, do canteiro ao lado. Foi assim que eu recebi alguns chuchus, algo que nunca comprei e não fazia ideia de como preparar. A santa internet tá aí pra isso, e logo descobri uma receita de chuchu crocante (basta mergulhar em água fervente com vinagre branco por um minuto, espremer e temperar) que fez o maior sucesso. A única certeza é que todos os produtos da cesta estão fresquinhos, tinindo e trincando, prontos para cumprir sua missão de alimentar a humanidade.











Para saber mais sobre CSA e encontrar uma iniciativa na sua região, visite o site da CSA Brasil 
Para conhecer a história da Rede em Brasília, o mapa das CSA, notícias na mídia e contatos, visite o CSA Brasília
luciana***
Luciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.


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FEIRA LIVRE PODE MUDAR SUA VIDA. E O MUNDO.

Se você entrasse em uma máquina e voltasse no tempo até a Idade Média, ao menos uma coisa iria encontrar quase igual ao que existe hoje: a feira livre. A maior parte dos produtos seria diferente do que é hoje, claro, e certamente não ia ter um vendedor gritando: “Moça bonita não paga! Mas também não leva.” Mas o básico, isto é, barracas de frutas, verduras e produtos diversos, iria estar lá. E também o hábito da dúzia de treze: o feirante amigo sempre coloca um chorinho a mais na sacola, sinalizando que a feira é mais do que um local de simples compra e venda de mercadoria, lá a palavra é abundância.
Você pode pedir para experimentar, perguntar que dia a fruta vai estar no ponto, comprar metade verde/metade madura, calcular a quantidade ideal para três pessoas por quatro dias, pedir uma delas para hoje e contar que gosta bem docinha, trocar receitas. Tudo isso porque você não está falando com o intermediário, o carregador ou o caixa do supermercado; está conversando com o produtor. E haja conversa! O que eles mais querem é vender, óbvio, mas não hoje e nem agora, e sim para sempre. Então o objetivo é conquistar a freguesia, e não empurrar o máximo de mercadorias possível (com eventuais exceções). O que conta nessas horas é a eterna lei da reciprocidade: trate o seu feirante como gostaria que te tratassem, e troque sorrisos por gentilezas.
O sorriso de quem vende os produtos do próprio sítio. Na feira Eixãoagro em Brasília
A mistura é a graça da feira; tem vegetal de todo jeito e gente de tudo quanto é tipo. Na verdade, essa é a própria história do surgimento das feiras livres: pense que as pessoas viviam, basicamente, entre ‘os seus’, quer dizer, gregos com gregos e troianos com troianos. Desde 500 A.C. acontecia, de vez em quando, de chegar um navio cheio de mercadorias diferentes, de algum lugar distante, e automaticamente os comerciantes se reuniam na praça principal para vender ou trocar seus produtos. Mas a coisa se tornou comum, mesmo, no final do feudalismo, uns mil anos depois disso: lá por 500 D.C.
A feira livre surgiu junto com a cidade: até então a sociedade se organizava em feudos, e as pessoas só consumiam – e conheciam – o que se produzia na terra onde moravam. Com o surgimento do capitalismo, a moeda passou a ser usada para adquirir produtos, e naturalmente foram surgindo espaços de comercialização. Com as cruzadas, os produtos passaram a ser, digamos, globalizados – ainda que em menor escala. Então dá para imaginar que a reunião de produtores-vendedores e compradores era uma grande festa, onde se conversava, trocava informações e entrava em contato com histórias, músicas e toda uma cultura diferente. Idêntico ao que é hoje.
A gente vive falando da importância de comer comida de verdade, de desembalar menos e descascar mais. No Brasil 34% da população come fora e um a cada 5 está acima do peso. Melhorar a saúde e a qualidade de vida passa, sem dúvida, por mudar os hábitos alimentares. O supermercado é o templo da padronização da comida, que é apenas mais um dos vários produtos vendidos lá. O mamão papaia está embaladinho em plástico, cercado por uma malha de isopor e envolto em papel, perto do papel higiênico, do detergente, das vassouras. Enquanto que na feira o vendedor e o vegetal vivem, literalmente, no mesmo contexto: ambos saíram de manhã cedo do sítio, entraram no carro e chegaram naquela barraca perto da sua casa.
Deve ser por isso que as pessoas estão curtindo cada vez mais as feiras! E você, costuma bater perna entre as barracas com a sua sacola retornável?
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lucianaLuciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.


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