sexta-feira, 7 de setembro de 2018

“RESPIRAR É O MELHOR REMÉDIO": ENTREVISTA COM O MÉDICO TAOISTA MARCOS FREIRE

DANÇA DE RODA, HORTA URBANA, ALINHAMENTO DE COLUNA, RESPIRAÇÃO: RECEITA MÉDICA EFICIENTE PODE SER SIMPLES E BARATA


O painel sobre Saúde Integrativa que aconteceu no Festival Setor Criativo Sul foi rico em significados e levou à várias reflexões. Na saída, conversamos com o Marcos Freire para aprofundar alguns temas que apareceram rapidamente na conversa coletiva. O Marcos é médico do CERPIS Planaltina (Centro de Referência em Práticas Integrativas em Saúde) , com formação em Acupuntura e Taoismo na China.

PQN? | Como é a sua prática cotidiana em cuidados com a Saúde?

M.F. Cada vez mais entendemos a importância das experiências terapêuticas em grupos de pessoas. Há espaço para o atendimento individual, mas a convivência é fundamental para que as pessoas possam experimentar coisas que são fisiológicas e instântaneas, como respirar, sorrir, entender como é o alinhamento da coluna, sentar no chão, se dirigir para o céu. Entender o mais simples, o menos elaborado, como um meio de chegar à uma experiência de unidade.

PQN? | Qual a importância da Educação?

M. F. Eu gosto muito de Paulo Freire, e entendo que existe uma situação opressiva na sociedade e o jeito é a gente fazer uma educação libertadora. Eu acho que a solução passa pela libertação do indivíduo, que passa a ter consciência de si mesmo, das suas partes mais sutis, e assim passa a entender qual é o meio de operação da opressão. A mudança vem através da porção mais imaterial do ser humano, que é a vontade.
Boa parte do dinheiro da corrupção é usada para financiar a mídia, para convencer a população que a saúde pública está boa, que há crescimento econômico, enquanto a gente não constata isso. As pessoas estão sendo manipuladas pelo sistema dominante e opressivo, e a gente tem que atuar denunciando isso e dando meios para as pessoas se apropriarem de si mesmas, da própria vontade e da atenção, a estabelecerem unidade com a natureza e com as outras pessoas. Esta unidade é que pode proporcionar liberdade e autonomia.

PQN? | Como você vê a depressão, doença cada dia mais prevalente na atualidade?

M. F. A gente vive em um mundo acelerado, que causa ansiedade, que pode evoluir para uma depressão. Há um aumento exagerado de energia e a consequente falta de energia que vem depois. Mas há remédio para isso. É importante desacelerar, diminuir o ritmo, e um dos remédios que a gente sempre tem prescrito é barato e eficaz, existe há mais de 5 mil anos, preconizado pela yoga: a respiração.
Se você domina a sua respiração, você domina a sua vida
É um método extremamente eficaz e ao alcance de todos para diminuir o ritmo: ao diminuir a velocidade da sua respiração, você sintoniza a sua mente a você mesmo, e tem a possibilidade de experimentar a unidade da sua mente com o seu corpo, de seu corpo com a natureza, com quem está à sua volta. E esse é o ponto primordial.
Experimente fazer esse exercício: respire profundamente, o mais lentamente possivel, faça uma pequena pausa de uns 3 segundos, vai esvaziando devarinho, faça outra pausa.
A gente normalmente respira uma média de 15 a 16 vezes por minutonão aconselho ninguém a ficar contando no relógio mas dá para respirar 7 vezes por minuto, se fizer uma respiração lenta e profunda. Tem um exercício chinês que já é razoavelmente difundido no Brasil, que é o Lian Gong, que é exatamente isso: respirar mais devagar e consciente. Ninguém fica com falta de ar, pelo contrário, a gente respira mais amplo. Para isso tem que usar a vontade, a atenção. E aí a gente vai experimentando a unidade, que é onde a gente entra em processo de cura.

A cura acontece quando a gente transcende o próprio eu”

PQN? | Marcos, você acaba de repetir uma frase que o Sérgio Pamplona disse hoje na palestra da manhã, Permacultura! Ele estava falando de agricultura sustentável. Então podemos entender que curar o eu é curar o sistema, e vice-versa?
M. F. Sim, essa é uma receita antiga de Buda e Lao Tsé: a causa da depressão é você se identificar demais como algo separado da natureza.
O eu funciona, mas ele não existe

PQN? | Então a depressão pode ser causada pela auto-exposição massiva, especialmente através das mídias sociais? O ego hoje está mais evidente do que no passado?
M. F O ego hoje é muito mais exacerbado, a gente vive uma separação entre você e o mundo, você e o outro, personalizando muito as experiências; o que é uma coisa falsa. Temos que encontrar consistência para viver a sua divisão, mas voltar também à unidade.
O grande desafio é adquirir a experiência da unidade e da divisao, e ter tranquilidade para transitar esse caminho, que é um caminho construido ao longo de anos.

Hoje quando você fala que o ego esta mais preponderante, a gente precisa aprender a ir do ego para a unidade, aproveitando tudo o que o ego traz mas sem perder a ternura da unidade com o todo.






PALESTRA SOBRE PERMACULTURA TROUXE INÚMERAS PERGUNTAS E UM CONJUNTO DE RESPOSTAS

Luciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.


**
Lembrando que a missão do PorQueNão? é divulgar conteúdos riquíssimos como esse. A gente acredita que a transformação vem através de bons exemplos, e para continuar trabalhando com um time incrível mais os equipamentos e deslocamentos necessários, contamos com você. Conheça a nossa campanha de financiamento (https://apoia.se/porquenao)

FAMÍLIAS DA CIDADE SE UNEM A PRODUTORES DO CAMPO: CONHEÇA UMA CSA

Três ou quatro meses depois, minha alimentação é 100% composta de vegetais orgânicos. E eu gasto metade do valor que usava para comprar comida no supermercado.
(Tá, essa redução de custos foi um chute. Mas eu gasto muito, muito menos do que gastava antes. E quando como fora de casa não sei se é mesmo orgânico. Em compensação, Brasília é uma cidade que permite que muitas vezes minha comida seja preparada minutos após ser coletada por mim mesma, nas diversas hortas urbanas ou na agrofloresta do Projeto Reação, na 206 norte. Eu conheço a pessoa que plantou a imensa maioria dos vegetais que eu consumo.)
Conheça o projeto Reação:
[youtube width=”100%” height=”100%” autoplay=”false”]https://youtu.be/uKkvCVZP1ms[/youtube]
Ok, então o que é CSA? A Comunidade que Sustenta a Agricultura (do inglês Community Supported Agriculture) surgiu no Brasil em 2011 e pode ser definida como uma nova forma de economia, através de um compromisso de parceria entre agricultores e coagricultores.
O produtor se livra da pressão do mercado e dos preços; o participante da CSA não é um mero consumidor, mas um coprodutor solidário, que recebe:
  • uma cesta semanal de vegetais recém-colhidos e totalmente livre de agrotóxicos, por um preço muito vantajoso
  • o direito de participar ativamente (visitando, opinando, pondo a mão na terra se e quando quiser) da produção
  • a satisfação pessoal de fazer parte de um sistema que protege o meio ambiente e a agricultura familiar
  • o bem estar de consumir alimentos saudáveis e saborosos 
Tudo isso para contar que neste último domingo visitei o sítio do Ronaldo, “meu agricultor”, e fiquei imensamente emocionada. Toquei a terra de onde vem a minha comida, observei os diversos vegetais em diferentes etapas dos seus ciclos de vida, conheci ou reencontrei pessoas que formam uma comunidade da qual eu faço parte: a CSA Verde Que Te Quero Verde.
Sobre conhecer pessoas, a curiosidade é que quando a Vivi me contou o que era CSA eu fiquei interessada e fui pesquisar para saber mais, mas quando descobri que teria que ir ao ponto de encontro todas as semanas buscar a minha cesta pensei seriamente em desistir. Como bem disse o poeta, ‘uma parte de mim é multidão, outra parte estranheza e solidão’ – e eu reluto muito, muito mesmo, em sair de casa para interagir com desconhecidos, embora ninguém que me conheça socialmente vá acreditar nessa frase.
Logo no primeiro encontro, porém, fui literal e metaforicamente abraçada pela Moema, e deixei de frescura. Por falar em frescura, aliás, não há timidez que resista à uma cesta com mais de 15 vegetais fresquíssimos, provavelmente colhidos naquela mesma manhã e entregue pelo próprio produtor diretamente na minha mão. Acredite, é muito transformador.
No sítio do Ronaldo, conheci a família dele, conversei com a Beth (fundadora e número 1 da CSA), com o Tancredo (marido da Moema e fotógrafo oficial dos pássaros da região), com a Daniele (que me contou uma história de saúde e superação), conheci a Maya (nenê mascote da CSA), e as várias famílias que dividem comigo os alimentos do sítio – não dá para nomear um por um, mas não é preciso: somos uma comunidade, na acepção da palavra.
Se tiver que resumir, em uma imagem, o que é ver o berço de onde seus alimentos brotam, saber que está participando de um movimento extremamente importante e, ainda, como é legal conhecer dezenas de pessoas que abraçam a mesma causa que você, a estrela da foto é essa aqui:
O pé de quiabo encantou a todos foto: Manuela Aguiar do Prado
O pé de quiabo encantou a todos
foto: Manuela Aguiar do Prado
A gente se acostumou a ir ao supermercado (vulgo intermediário) e escolher os alimentos da semana – que muitas vezes foram produzidos em diferentes pontos do planeta, em estufas mantidas sob condições artificiais de luminosidade, pressão e temperatura. Mas, na minha cesta, vem o que a natureza reservou de melhor para aquele momento. O Ronaldo explicou que muitas vezes ele avisa que irá trazer um determinado legume, mas no momento da colheita percebe que o vegetal que está ‘pedindo para ir para a cesta’ é o outro, do canteiro ao lado. Foi assim que eu recebi alguns chuchus, algo que nunca comprei e não fazia ideia de como preparar. A santa internet tá aí pra isso, e logo descobri uma receita de chuchu crocante (basta mergulhar em água fervente com vinagre branco por um minuto, espremer e temperar) que fez o maior sucesso. A única certeza é que todos os produtos da cesta estão fresquinhos, tinindo e trincando, prontos para cumprir sua missão de alimentar a humanidade.











Para saber mais sobre CSA e encontrar uma iniciativa na sua região, visite o site da CSA Brasil 
Para conhecer a história da Rede em Brasília, o mapa das CSA, notícias na mídia e contatos, visite o CSA Brasília
luciana***
Luciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.


**
Lembrando que a missão do PorQueNão? é divulgar conteúdos riquíssimos como esse. A gente acredita que a transformação vem através de bons exemplos, e para continuar trabalhando com um time incrível mais os equipamentos e deslocamentos necessários, contamos com você. Conheça a nossa campanha de financiamento (https://apoia.se/porquenao)